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Entenda a crise dos Estados Unidos

02/10/2008 07h58 - Atualizado em 02/10/2008 08h08 - Por Camila Mitye

Crise dos Subprimes. Esse é o nome da nova crise financeira dos Estados Unidos que anda abalando o mundo. Com tantos termos do vocabulário econômico, tanta manchete e pouca explicação, fica difícil entender o que realmente está acontecendo, né?

Quem está se preparando pro Vestibular (que já está aí) tem de estar afiado nesse assunto. Então, vamos tentar entendê-lo?

Como começou

No começo deste século (meados de 2001 e 2002) o mercado imobiliário dos Estados Unidos entrou em expansão. Comprar casas passou a ser objetivo de quem queria, além do imóvel próprio, fazer algum investimento (comprava-se barato, revendia-se mais caro, tudo com dinheiro de empréstimos). Tudo isso depois que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) passou a diminuir os juros e incentivar empréstimos e financiamentos, para fazer consumidores e empresas gastarem mais. Mais dinheiro circulando, mais liquidez no mercado, maior é a especulação financeira mundial. Essas coisas da globalização.

A partir de então, o crédito começou a rolar solto. Empresas hipotecárias, bancos e financeiras começaram a emprestar e financiar cada vez mais. Qualquer um poderia retirar um empréstimo ou financiar um imóvel. Surgiram os chamados “subprimes”, os clientes de um segmento de renda mais baixa. Esse segmento é constituído também de mutuários (as pessoas que retiram os empréstimos) que não conseguiam facilmente comprovar renda e/ou tinham algum histórico de inadimplência (quando o cliente não cumpre o contrato ou, simplesmente, não paga o que deve).

Mas o mercado estava tão empolgado com tanto gasto dos americanos que bancos e outras instituições financeiras começaram a adquirir das hipotecárias os créditos “podres”, ou seja, os créditos dos subprimes. Eles eram misturados a créditos de clientes “primes” (os que tinham nome limpo e crédito na praça) e passados adiante. Desta forma, cada vez mais empréstimos eram feitos (e incentivados), para que seus créditos fossem vendidos. Simples especulação.

A crise começou a pipocar quando os tais subprimes mostraram suas condições: simplesmente não pagaram seus empréstimos. Para alguns o prejuízo foi perder suas casas (em ações de “foreclose”, o despejo) e, para muitos outros, acordar em um mar de dívidas. E, como eles eram a fonte inicial do dinheiro, a empresa que lhe emprestou o dinheiro e as outras que adquiriram seu crédito “podre”, saíram no prejuízo também, ou seja, ninguém recebeu. Uma “bola-de-neve”!


Todo o sistema financeiro passou, de renpente, a depender de "simples casinhas" (Hipotecas Subprimes - 'Eu achei que estava apenas comprando uma casa')

Depois de uma alta até 2006, o preço dos imóveis começou a cair e os juros altos afastaram novas possibilidades de crédito. Como a oferta passou a ser maior que a procura, o mercado imobiliário dos EUA ficou cada vez mais desvalorizado.

Então, um novo cenário começou a surgir depois da expansão imobiliária: o trancamento do crédito nos Estados Unidos. O dinheiro em circulação diminuiu, bancos e financeiras começaram a ser vendidos e muitos até anunciaram falência. Foi a partir dessa situação que o governo norte-americano resolveu intervir e ajudar os bancos e hipotecárias financeiramente.

Pacotes

O governo então começou a injetar grana no mercado, por meio de incentivos às instituições à população. A situação é tão grave que o presidente Bush, representantes republicanos e democratas (incluindo os presidenciáveis John McCain e Barack Obama) e a cúpula do governo norte-americano reuniram-se para tentar chegar a um valor, um pacote de ajuda às instituições bancárias, para evitar novas quebras.

O secretário do Tesouro, Hank Paulson, sugeriu então um pacote de ajuda de U$ 700 bilhões. O pacote Paulson, porém, previa ajuda aos bancos e hipotecárias, não aos mutuários. É claro que as instituições financeiras, após receberem ajuda do governo, teriam de se comprometer em retribuir o “empurrão” em épocas de vacas gordas. Mas parece que isso não ficou muito claro no documento que foi para a Câmara e o pacote Paulson acabou não sendo aprovado na primeira votação. O Senado aprovou o pacotão ontem (1º) e agora, a decisão volta para a Câmara, que deve votar amanhã.


Bush e Paulson: Tentando evitar maiores estragos com o pacotão

Especialistas invocam o nome de Franklin Delano Roosevelt que, em 1933, época em que os EUA tentavam aos poucos se reerguer após a quebra da bolsa em 1929, lançou um plano que lembra o de Paulson. Roosevelt criou uma corporação para refinanciar com melhores condições de pagamento as dívidas dos mutuários inadimplentes. Essa corporação comprava as dívidas dos bancos em troca de Títulos do Tesouro. Além disso, havia uma espécie de “assistência social” na história: as famílias endividadas recebiam consultoria financeira e todo apoio do governo para saírem da lama.

O resultado foi que, em 1951 (18 anos depois), a corporação criada por Roosevelt já havia quitado todas as hipotecas, adquirido cerca de 200 mil imóveis (que foram revendidos a terceiros) e fechou as portas, com uma pequena margem de lucro nos cofres.

A grande diferença entre o plano Paulson e o de Roosevelt é uma só: o foco. Enquanto o mais antigo priorizava a população, o mais recente tenta salvar os bancos milionários da falência (e, conseqüentemente, evitar uma crise econômica).

Futuro?

Bush pede a aprovação do pacotão. A Câmara discute. Os bancos estão em corda bamba. E o mundo aguarda ansiosamente uma iniciativa do governo norte-americano para agir. Tudo isso, em época de eleições por lá. Há quem diga, em uma daquelas previsões exageradas, que Obama poderá, assim como Roosevelt no passado, tirar os EUA dessa crise. Talvez tanta especulação até ajude a elegê-lo. É esperar para ver.

Ainda é difícil calcular os estragos dessa crise daqui pra frente. Mas o que já está aí e não deve cessar tão cedo é a profunda restrição de crédito que as instituições financeiras adotaram. Empréstimos serão dificilmente concedidos. E a tendência é se espalhar pelo mundo, já que até mesmo os bancos internacionais (como os brasileiros) terão dificuldade de conseguir empréstimos no exterior. O que não dá para negar é que a atividade econômica internacional sairá calejada dessa crise.

Para melhor entendimento da Crise dos Subprimes, indico a leitura de um texto que está rolando em blogs e em correntes de e-mails pela internet. Seu autor, ainda desconhecido (se você for o autor, manifeste-se!), consegue explicar de forma clara e didática (contando a história de um “Paul” qualquer) a crise norte-americana. Vale a pena ler!

Para entender a crise nos Estados Unidos da América, a história de “Paul”

O tema também está bombando no Vestiblogando, veja o post sobre a crise no sistema financeiro.

E aí?

Você acha que Bush e sua cúpula estão agindo corretamente? O que os demais países devem fazer para evitar que a crise chegue a seus mercados? Você acha que a intervenção do governo em instituições privadas pode ajudar crises como essa? Não deixe de opinar!







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  • terça-feira | 29/04/2014 | Allan Mariano

    A crise é e sempre será reflexo de más atitudes e escolhas. Com o new deal, roosevelt conseguiu sanar a divida pós crise de especulação que iniciara após o " the american way of life"" . nao ha dúvida que, com escolhas sapientes, os EUA conseguirão transpor essa situação. Nao tomem os EUA como um país ruim apenas por ele ser a superpotencia, pois se ate o brasil tivesse o poder que eles têm, seriamos possuidores de atitudes semelhantes aos mesmos!

  • sexta-feira | 05/10/2012 | leandro

    legal ;) me ajudou a fazer a tarefa de ksa lol

  • quarta-feira | 09/05/2012 | Ricardo

    Os EUA é o pais mais fudido do mundo,só pensam neles e só querem levar vantagem o bom seria que dependessemos o mínimo deles.

  • domingo | 01/09/2013 | jessica
    2 2

    vc nao sabe de nada volta pro c.a!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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