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Jorge Amado

Jorge Amado é considerado um dos expoentes da literatura regionalista no Brasil. Caracterizada pela linguagem simples, sua obra literária alia o lirismo à crítica social.

 


Jorge Amado nasceu em Itabuna, Bahia, no dia 10 de agosto de 1912. Faleceu aos 89 anos de idade, no dia 6 de agosto de 2001, em Salvador *

Eu continuo firmemente pensando em modificar o mundo e acho que a literatura tem uma grande importância.”

A frase acima foi dita por Jorge Amado, um dos mais populares e lidos escritores da literatura brasileira. Jornalista, memorialista e romancista, debruçou-se sobre tipos populares, como os marginais, os pescadores, os marinheiros, entre outros, em uma tentativa de investigar e de mostrar ao Brasil os costumes provincianos da gente de sua terra, a Bahia.

Jorge Leal Amado de Faria nasceu em Itabuna, Bahia, no dia 10 de agosto de 1912. Ainda criança transferiu-se com a família para a cidade de Ilhéus e, posteriormente, para a capital, Salvador, onde tomou conhecimento da vida popular que tanto marcaria sua obra de romancista. No Rio de Janeiro, fez-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito, mas jamais exerceu a profissão. Foi escritor profissional, viveu exclusivamente dos direitos autorais de seus livros, embora tenha dedicado-se também ao jornalismo – escreveu para semanários, jornais e revistas. Politicamente comprometido com ideias socialistas, em 1945 foi eleito deputado federal pelo Estado de São Paulo e, nos anos da Segunda Guerra Mundial, fez literatura de propaganda política (foi um dos líderes do pensamento de esquerda brasileiro), envolvendo-se na oposição ao Estado Novo, a ditadura do então presidente Getúlio Vargas.

O capitalismo conserva-se o mesmo sistema frágil e injusto, produtor de guerras, de miséria, baseado no lucro, na ânsia do dinheiro. São razões muito miseráveis.”

Em 1991, sobre sua confiança no socialismo após a queda do muro de Berlim.

A preocupação político-social foi um dos motes para a sua obra: denunciou a miséria e a opressão do trabalhador rural e das classes populares. Suas obras são de cunho regionalista, e sua linguagem simples e coloquial aproximou seus romances do gosto popular, tendo sido, durante muito tempo, o escritor mais lido da literatura brasileira. Sua obra foi traduzida para diversos idiomas, alcançando especial reconhecimento nos países então socialistas, em virtude de seu alinhamento com o pensamento marxista.

Eu me sinto mal. Porque eu acho que deviam ter 50 escritores mais lidos no Brasil.”

Em 1988, sobre como se sentia sendo o escritor mais lido do país.

No Brasil, foi agraciado com diversos prêmios, entre eles: Prêmio Nacional de Romance do Instituto Nacional do Livro (1959); Prêmio Graça Aranha (1959); Prêmio Paula Brito (1959); Prêmio Jabuti (1959 e 1970); Prêmio Luísa Cláudio de Sousa, do Pen Club do Brasil (1959); Prêmio Carmen Dolores Barbosa (1959); Troféu Intelectual do Ano (1970); Prêmio Fernando Chinaglia, Rio de Janeiro (1982); Prêmio Nestlé de Literatura, São Paulo (1982); Prêmio Brasília de Literatura - Conjunto de Obras (1982); Prêmio Moinho Santista de Literatura (1984); prêmio BNB de Literatura (1985). Apesar de tantos prêmios e do reconhecimento internacional (entre eles o Prêmio Camões, recebido em 1994), orgulhava-se mais do título de Obá, posto civil que exercia no Ilê Axé Opô Afonjá, terreiro de candomblé em Salvador, Bahia.

Eu vou te responder. A minha resposta é a seguinte: eu acho prêmio em geral uma bestice.”

Em 1988, sobre o Nobel não ter sido concedido a escritores brasileiros.

Foi o quinto ocupante da Cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 6 de abril de 1961, sucedendo Otávio Mangabeira, engenheiro, professor e político brasileiro. Seus livros, sucesso de público, mas sempre recebidos com ressalvas pela crítica literária, receberam diversas adaptações para o cinema, teatro, rádio e televisão, fato que ajudou a popularizar ainda mais a sua obra, não só no Brasil, mas também em Portugal, França, Argentina, Suécia, Alemanha, Polônia, Itália e Estados Unidos.

A adaptação de qualquer obra de um autor é sempre uma violência, mas considero as versões de meus romances para a televisão muito positivas, porque levam a obra a milhões de pessoas que não leriam o livro.”

Em 1989, em Paris, após assistir aos capítulos da novela "Tieta do Agreste" em videocassete.

Jorge Amado foi casado com a também escritora Zélia Gattai, com quem teve dois filhos. Com a saúde já debilitada, foi vítima de uma parada cardiorrespiratória e faleceu em Salvador no dia 6 de agosto de 2001. Foi cremado e suas cinzas foram enterradas no jardim de sua casa no dia em que completaria 89 anos. Sete anos depois, as cinzas de sua esposa foram depositadas no mesmo lugar. Jorge deixou seu nome perpetuado na história da literatura brasileira e, embora não tenha, segundo muitos críticos literários, alcançado o nível que se esperaria do mais conhecido romancista brasileiro, é inegável a importância de sua obra para o pensamento político brasileiro e para a literatura regionalista no Brasil.

Eu acho que o escritor verdadeiro é aquele que escreve sobre o que ele viveu.” 

Jorge Amado

Bibliografia de Jorge Amado:

O país do carnaval, romance (1931);

Cacau, romance (1933);

Suor, romance (1934);

Jubiabá, romance (1935);

Mar morto, romance (1936);

Capitães de areia, romance (1937);

A estrada do mar, poesia (1938);

ABC de Castro Alves, biografia (1941);

O cavaleiro da esperança, biografia (1942);

Terras do sem fim, romance (1943);

São Jorge dos Ilhéus, romance (1944);

Bahia de Todos os Santos, guia (1945);

Seara vermelha, romance (1946);

O amor do soldado, teatro (1947);

O mundo da paz, viagens (1951);

Os subterrâneos da liberdade, romance (1954);

Gabriela, cravo e canela, romance (1958);

A morte e a morte de Quincas Berro d'Água, romance (1961);

Os velhos marinheiros ou o Capitão de longo curso, romance (1961);

Os pastores da noite, romance (1964);

Dona Flor e seus dois maridos, romance (1966);

Tenda dos milagres, romance (1969);

Teresa Batista cansada de guerra, romance (1972);

O gato Malhado e a andorinha Sinhá, historieta (1976);

Tieta do Agreste, romance (1977);

Farda, fardão, camisola de dormir, romance (1979);

Do recente milagre dos pássaros, conto (1979);

O menino grapiúna, memórias (1982);

A bola e o goleiro, literatura infantil (1984);

Tocaia grande, romance (1984);

O sumiço da santa, romance (1988);

Navegação de cabotagem, memórias (1992);

A descoberta da América pelos turcos, romance (1994);

O milagre dos pássaros, fábula (1997);

Hora da guerra, crônicas (2008).

* A imagem que ilustra o artigo é capa do periódico Cadernos de Literatura Brasileira, do Instituto Moreira Salles.


Por Luana Castro
Graduada em Letras

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